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quinta-feira, junho 08, 2006

Conheça os crimes virtuais mais comuns

JULIANA CARPANEZ
da Folha Online

Os especialistas ouvidos pela Folha Online são unânimes: atualmente, o crime virtual mais comum é o roubo de identidade. Com ele, pessoas mal-intencionadas se apoderam de informações da vítima para fazer compras on-line ou realizar transferências financeiras indevidas, por exemplo.

Apesar de o pódio estar muito bem definido, não há um consenso sobre a posição que outras transgressões ocupam no ranking da criminalidade virtual. Em uma proporção menor que o roubo de identidade, crimes como pedofilia e difamação cumprem bem seu papel na hora de incomodar internautas, empresas, governos e autoridades de todo o mundo.

Saiba quais são os crimes de informática mais comuns:

Roubo de identidade
Os piratas virtuais enganam os internautas e se apoderam de suas informações pessoais para fazer compras on-line ou realizar transferências financeiras indevidamente.

Segundo o IPDI (Instituto de Peritos em Tecnologias Digitais e Telecomunicações), pessoas que usam a informática para roubar identidades podem responder por estelionato, furto mediante fraude, intercepção de dados, quebra de sigilo bancário e formação de quadrilha.

Pedofilia
Internautas criam sites ou fornecem conteúdo (imagens e vídeos) relacionado ao abuso sexual infantil.

Calúnia e difamação
Divulgação de informações --muitas vezes mentirosas-- que podem prejudicar a reputação da vítima. Estes crimes tornaram-se mais comuns com a popularização do site de relacionamentos Orkut.

Ameaça
Ameaçar uma pessoa --via e-mail ou posts, por exemplo--, afirmando que ela será vítima de algum mal.

Discriminação
Divulgação de informações relacionadas ao preconceito de raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional. Também tornou-se mais comum com a popularização do Orkut.

Espionagem industrial
Transferência de informações sigilosas de uma empresa para o concorrente. A tecnologia facilita este tipo de ação, já que um funcionário pode copiar --em um palmtop ou memory stick, por exemplo-- o equivalente a quilos de documentos.

Vitória dos consumidores

Hoje é um dia especial para a cidadania. O consumidor saiu vitorioso no embate com os bancos. Por 9 votos a 2 o Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu que o Código de Defesa do Consumidor se aplica na prestação de serviços bancários. Foi uma longa espera, mas o resultado compensou.É o reconhecimento da vulnerabilidade do consumidor como parte mais fraca nessa relação, com este poderoso segmento econômico. O CDC permanece aplicável na prestação de serviços pelos bancos, para alívio de todos os consumidores brasileiros, e em respeito aos 15 anos de existência do Código, um dos mais avançados do mundo. Na prática, a decisão do STF significa que quem fechar contrato com um banco ou uma financeira poderá, entre outras coisas: pleitear a anulação de cláusulas que impliquem em obrigações excessivamente onerosas; responsabilizar o fornecedor objetivamente pelos danos que este lhe causar; solicitar ao juiz a inversão do ônus da prova, em processo civil; favorecer-se de uma interpretação mais favorável, nos contratos, em caso de dúvidas (omissão ou falta de clareza); exigir a limitação a 2% da multa decorrente do atraso de pagamento, nos contratos de financiamento ou de concessão de crédito; ser efetivamente protegido contra métodos coercitivos e ameaçadores nas cobranças de dívidas.

Escrito por Maria Inês Dolci às 16h35

Bancos quebram tabu e falam sobre fraudes virtuais

JULIANA CARPANEZ
da Folha Online

Pela primeira vez em sua história, a Febraban (Federação Brasileira de Bancos) realizou um evento para falar sobre as fraudes virtuais, um assunto ainda considerado tabu entre as instituições financeiras. Segundo representantes da organização, seu objetivo é fazer com que os usuários do internet banking fiquem mais atentos a este problema, que afeta a confiança dos clientes em seus bancos.

Durante o evento realizado nesta terça-feira, restrito à mídia, a Febraban falou sobre a importância da educação dos internautas, além das ferramentas já em uso que dificultam a ação de piratas --caso das chaves de segurança. No entanto, os palestrantes se enrolaram na hora de discutir os casos de fraudes em que os clientes não são ressarcidos.

Segundo os especialistas da federação, as supostas vítimas não recebem seu dinheiro de volta quando fica provado que elas tiveram participação nas fraudes ou em situações de negligência. O grande problema está no fato de a Febraban não saber explicar o que exatamente é considerado negligência, quando se trata de golpes no serviço de internet banking.

"É algo subjetivo", reconheceu Mário Sérgio Vasconcelos, diretor de relações institucionais da Febraban. Pelo discurso dos especialistas presentes no evento --que não confirmaram estas hipóteses-- a falta de um antivírus no micro das vítimas ou transações financeiras realizadas em cybercafés podem ser consideradas ações negligentes.

"A internet é uma ferramenta relativamente nova, e os usuários também devem se reponsabilizar pela maneira como a usam", disse Jair Scalco, diretor de cartões e negócios eletrônicos da Febraban. Scalco fez uma comparação com os cuidados que os internautas devem ter, dizendo que as pessoas não deixam suas carteiras em qualquer lugar, pois desta forma elas podem ser furtadas.

Inclusão

Os internautas certamente devem ser instruídos sobre como evitar golpes virtuais, pois esta prática torna-se cada vez mais freqüente. No entanto, as políticas de educação ainda são muito limitadas se comparadas com a quantidade de propagandas sobre os serviços de internet banking, por exemplo.

Além de criar ferramentas de segurança, os bancos terão de investir pesado na divulgação de informações sobre o assunto, se quiserem reduzir seus prejuízos. Isso porque os programas de inclusão digital devem aumentar, nos próximos anos, o número de novos internautas --pessoas desavisadas são o principal alvo dos piratas virtuais.

Os golpes virtuais já atingiram cifras alarmantes no Brasil. Segundo estimativas do IPDI (Instituto de Peritos em Tecnologias Digitais e Telecomunicações), bancos e administradoras de cartões perderam R$ 300 milhões com este tipo de fraude no Brasil em 2005 --o valor representa 12% dos R$ 2,5 bilhões faturados pelo comércio eletrônico brasileiro no período.

Aprenda a gerenciar e proteger senhas usadas on-line

JULIANA CARPANEZ
Folha Online

Em tempos de muita oferta de serviços on-line, fica fácil colecionar uma porção de senhas --um internauta precisa de pelo menos três destas combinações para realizar, via computador, tarefas de seu cotidiano. Some a esta diversidade o fato de as senhas não poderem ser anotadas, e o que se tem é a receita perfeita para a confusão ou até mesmo esquecimento.

Como não dá para viver sem elas, o importante é saber protegê-las e gerenciá-las; só assim é possível evitar acessos indevidos ou a irritação de não conseguir se logar em sua própria máquina.

Confira algumas dicas dadas por especialistas em segurança que podem ajudar a evitar problemas deste tipo.

Segurança

-- Tenha pelo menos três senhas divididas em "grupos": lazer, trabalho e banco.
-- Troque-as mensalmente.
-- Crie senhas longas.
-- Varie ao máximo o tipo de caractere: use símbolos, letras e números.
-- Quando só puder usar números, faça combinações pouco prováveis --junte seu ano de nascimento com os dígitos da placa do carro, por exemplo.
-- Não escolha palavras existentes em dicionários --piratas virtuais usam softwares específicos para adivinhá-las.
-- Se quiser usar palavras, escreva-as de forma errada (substitua a letra "a" por "@", por exemplo).
-- Nunca anote suas senhas, e só as compartilhe quando extremamente necessário (caso de marido e mulher).

Gerenciamento

-- Para não se esquecer de sua senha, crie uma combinação "raiz" e faça variações baseadas nela. A "raiz" pode ser formada por letras ou números.

Exemplo:
-- A palavra "raiz" é "mist&rio" (substitua sempre uma letra do termo original).
-- Para cada tipo de serviço, acrescente outros dígitos. Desta forma, a senha no trabalho pode ser " mist&rio31", enquanto o acesso ao webmail é "mist&rio62".
-- No mês seguinte, as combinações podem ser trocadas para "s&gr&do31" e "s&gr&do62".

Fontes: José Antunes (gerente de engenharia de sistemas da empresa de segurança McAfee) e Ramiro Costa (gerente técnico de contas da empresa de segurança Trend Micro).

Aprenda a se proteger dos golpistas da internet

JULIANA CARPANEZ
da Folha Online

É fato: os internautas se preocupam menos com a segurança de seus computadores do que deveriam. Seja por preguiça, falta de tempo ou desinformação, muitos deles ignoram cuidados básicos que os expõem às ações de piratas virtuais.

Prova disso é a aparição do vírus Netsky.P, identificado no início de 2004, no ranking das pragas mais ativas de 2005. Se os internautas realmente atualizassem seus programas de segurança --que protegem contra o Netsky.P desde março de 2004--, a praga teria sumido poucos meses após ser criada.

Veja algumas dicas para se proteger contra os golpistas:

-- Instale antivírus no computador e faça atualizações semanais.

-- Mantenha seu navegador sempre atualizado.

-- Nunca clique em links ou visite sites sugeridos em e-mails.

-- Nunca envie informações sigilosas via e-mail ou mensagens instantâneas.

-- Troque regularmente as senhas utilizadas em transações financeiras.

-- Crie um e-mail apenas para se cadastrar em sites. Se você receber mensagens de "velhos amigos" ou do seu banco neste endereço, desconfie.

-- Parta do princípio de que dinheiro não vem fácil e pense duas vezes antes de aceitar propostas "incríveis" recebidas pela internet.

Se você acha que seu micro foi invadido:

-- Deixe de acessar serviços de banco on-line e fazer compras pela web até resolver o problema.

-- Rode uma verificação do antivírus atualizado em toda a máquina. Desta forma é possível encontrar a praga e, em alguns casos, removê-la.

-- Monitore regularmente suas movimentações financeiras.

-- Denuncie o golpe do qual foi vítima à Delegacia de Delitos e Meios Eletrônicos do Deic (4dpdig.deic@policiacivil.sp.gov.br).

-- Caso perceba movimentações estranhas na sua conta corrente, entre em contato com o banco e peça orientações. O mesmo vale para operadoras de cartão de crédito.

-- As vítimas de crimes virtuais devem sempre procurar uma delegacia e fazer um boletim de ocorrência.